quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sexo, maternidade, adolescente, educação



Minha vizinha ingressou no mecado de trabalho. Adapta-se ao seu primeiro emprego em uma clínica médica. Esta clínica tem convênio com a prefeitura. Foi o quanto bastou para perceber, em poucos dias, como anda a educação sexual do povo da periferia. Está horrorizada com o número de adolescentes grávidas em Guarapari-ES.

A prefeitura não tem qualquer programa de orientação sexual, paga os exames, o pré-natal, lava as mãos.

O perfil das moças é sempre o mesmo: roupas curtíssimas, cabelos alisados, unhas pintadas de cores exóticas, comportamento sem compostura. Aparecem para as consultas sozinhas ou com amigas. O rapaz não comparece. Não há orientação ou encaminhamento para explicar seja o que for para estas meninas. Chamar à razão.

Fazer um programa de assistência à saúde com convênios e prestação de serviço à população é uma boa medida mas é fundamental que haja reuniões onde sejam debatidas as razões da doença, do atendimento, do comportamento dessas pessoas e que levou à procura do serviço médico. O poder público não tem nenhuma noção de prestação da educação da população e só leva em conta a escola formal.

Depois , ainda tem gente pregando a discriminalização do aborto. Até começo a entender a razão do discurso. Será uma forma de controle da natalidade destas camadas que não se aprimoram e vivem com a sexualidade à toda brida.


4 comentários:

J.F. disse...

Magui, o que se pode esperar de autoridades que, no carnaval, apenas alertam: "usem camisinha"? O que se esperar de pais (mães, principalmente) que levam suas filhas de 4, 5, 6 anos de idade para se apresentarem ante câmeras de TV executando danças de explícito apelo libidinoso? O que se pode esperar de emissoras de TV que, nas entrelinhas, pregam a banalização do sexo? É óbvio que já estamos no séc. 21 e que os costumes mudaram. Mas precisa ser tanto para pior? Já vi caso de menina dando à luz aos 12 anos. Aos treze, tendo o segundo filho. Aos quatorze, fazendo o primeiro aborto. Evidentemente, sem ter a mínima noção sobre a identidade dos respectivos pais. E a criação dessas crianças cabendo à avó, empregada doméstica, pois os pais da garota estavam mais ocupados em praticar contravenções (eita nome eufemístico!). E essas coisas não andam acontecendo apenas nas camadas populacionais com maiores dificuldades de acesso à educação, ou com maiores dificuldades de acesso aos bens de consumo e serviços propalados como "lazer" (?). Não! Infelizmente, tudo isso está se generalizando, ante a passividade de pais e professores, hoje até impedidos de castigar educadamente, por autoridades que sei lá o que pensam.
Abração.

Jens disse...

Oi Magui.
Aqui no Sul também ocorre o mesmo. Chego a pensar que, para alguns segmentos da juventude, a gravidez precoce é "in" - bacana, legal, até mesmo fashion...
Acho que mais do que do Poder Público, a responsabilidade é dos pais, que têm a obrigação de incutir nos filhos noções do que seja um comportamento sexual minimamente saudável e responsável. Não creio que se deva delegar ao Estado a tarefa da educação ética e moral dos nossos filhos. O problema é que os pais não podem transmitir o que não possuem ou, em muitos casos, noções de comportamento que não valorizam. Vivemos uma era de permissividade? Tudo bem. Convém não esquecer que permissividade, sobretudo neste caso, rima responsabilidade. Uma não exclui a outra. Quem sabe mamães e papais encarem a dura tarefa de educar os filhos?

Beijo.

Bete disse...

Os valores estão banalizados e agora tudo pode.
Muitos pais sequer sabem quem sao os amigos de seus filhos e filhas.
Hoje os adolescentes e jovens não mais namoram, tudo gira em torno do sexo. Como bem disse JF , é a banalização do sexo.
Trabalho numa escola e todos os anos fico horrorizada com o a quantidade de meninas grávidas.
Triste.
Bjs

Blog do Beagle disse...

Ese assunto dá pano para manga. De quem é o interesse em manter a população na igorância? A partir daí poderemos pensar em como resolver esse problema. Tenho muito dó não só das jovens que se tornam mães muito cedo, mas também, dos filhos delas, que serão outros irresponsáveis e deseducados, sem valores, sem crenças. Bjs. Elza