sexta-feira, 31 de maio de 2013

Não viu, não vê, não vence. Voltou:Queimou a língua.

                                     

                                  

Eu voltava, à pé,  do centro da cidade, onde eu fora para ver o tapete na rua principal, na comemoração de Corpus Cristi, quando chamou-me a atenção um indivíduo estranho, adentrando no nosso quarteirão. Minha rua é sem saída e quem entra nela, não sendo morador, é suspeito. Diminuí a passada e parei em frente da minha casa à espera do estranho que já voltava.Todas as minhas antenas estavam ligadas e eu pronta para correr para dentro de casa.

O homem era sujo mas vestido de calça preta e camisa amarela fechada até o pescoço. Uns 25 anos. Eu o encarei e ele sorriu. Todo subseviente, pediu desculpas por estar ali, dizendo para eu ficar à vontade  mas que a rua era sem saída. Eu respondi que ele podia andar por onde quisesse , que a rua é pública. Não parecia perigoso mas semi mendigo.

Concomitantemente, apareceu um carrão importado, que estacionou em frente ao lote da minha casa que aliás são três, de propriedade de um grande empresário do estado. O cara é líder no seu segmento, podendo empregar com facilidade.Era o dono. Ele desceu e veio conversar comigo. Foi amigo do meu marido, que fez projeto arquitetônico de uma de suas lojas há algumas décadas. Reconheceu em meu filho o pai, por parecerem-se muito.Comentava que os lotes estavam precisando de capina, quando o indivíduo, que parara para ouvir a conversa, disse que poderia fazer o serviço.Conversa vai, conversa vem, despedi-me e entrei em casa. O empresário , então, combinou com o passante a capina, deu-lhe trinta reais e ficou de dar outros setenta no dia seguinte, depois do serviço pronto.                           


Pergunta se ele voltou hoje? Não pensem que o lider empresarial seja um bestunto. Não. Ele é apenas mais um que pagou para ver que esta gente não quer nada com a Hora do Brasil mas é preguiçoso, sem eira nem beira a transitar para cima e para baixo, um andarilho, oportunista, dando-se de esperto. Se ele tivesse vindo trabalhar, além de ganhar o resto do dinheiro poderia ter um emprego, uma chance de sair da miséria.O cavalo passou encilhado na frente dele e ele nem viu.

                                         
                                        


Nota: Para queimar minha língua, o cara apareceu às 11 horas para trabalhar. Bateu no meu portão, pediu fósforo para o cigarro e um copo d'água. 

Nota 2: O empresário apareceu às 14 horas, pagou o cara.Conversamos e rimos muito da nossa língua queimada.

4 comentários:

Fábio Mayer disse...

ih! Aqui em frente de casa tem uma praça e umas mesinhas. Estão sempre lotadas de desocupados bebendo cerveja em praça pública, jogando truco ou simplesmente enchendo o meu saco! Mas meu jardim estava precisando de uma capinada, esperei, procurei um tempão por uma alma que fizesse o serviço, até que não aguentando mais aquele estado de coisas, eu mesmo fiz o serviço, já que os desocupados reclamam da pobreza mas não deixam a cerveja e o banquinho do ócio...

Nanda disse...

É triste, mas isso acontece muito. E em tempo de bolsa-esmola, fica ainda pior... magui, vim te convidar pra festa de 10 anos do IP... =)

Flavia Pardal disse...

Aqui é a mesma coisa, só pode pagar o serviço no fim do trabalho, se pagar antes eles não voltam. E são pessoas que estão precisando de dinheiro.

Maria Inês disse...

Olá! Como disse um homem que bateu na minha porta:" estou pedindo é dinheiro e não serviço". Quer mais?