terça-feira, 18 de junho de 2013

Manifestações múltiplas nas ruas, azeda fácil

                               

Por mim tanto faz. Não tenho o mínimo interesse em parecer atualizada, revoltada, disposta a ir para a rua, ficar no meio de revoltadinhos sem liderança ou planejamento.
Já protestei, já fiz passeata. E, tudo quando o país saia da ditadura. Tínhamos planos, texto para entregar às autoridades, redigido em grupo, norte e rumo. Tudo que reivindicamos, conseguimos. Tudo conquistado em praça pública e com a imprensa a nosso favor. Com hora e data marcada. Liderança firme e certa. O passo era firme e marcava o ritmo.Vinham  conosco. Nada de dispersão, andar largado, gritaria inútil.

Somente uma vez houve confronto. Foi no dia 8 de março. Meu grupo não foi. Na reunião preparativa, o pessoal do PC do B combinou confronto e usando mulheres da periferia com filhos nos braços. Escudo para fazer discurso de agressão das autoridades. Não deu outra. Teve gente se jogando debaixo do cacetete dos PMs. Depois que acabou, com gente hospitalizada, quiseram nos cobrar porque não fomos. Diziam que éramos  putas da classe média. Comunista não deixa pra depois. Se naquele tempo tínhamos segurança e norte, hoje não vejo nada disso.

Quanta ingenuidade dessa gente que nunca fez uma reunião política. Quanta bobagem achar que tudo isso não é política. Enquanto romantizam os acontecimentos, julgando-se heróis da transformação nacional, a bandidagem planeja saques, quebra -quebra, desordem. Quem leva são os profissionais. Política não é para amador.

Isso aí é baderna perto do que fazíamos.  Sair na rua desembestado, permitindo bandido infiltrado, saques, quebrando patrimônio alheio. Com certeza a cara, escondida por panos ou máscaras, está cheia de drogas. Gente infiltrada para desmoralizar o discurso da maioria. Avisávamos a PM  e por escrito, com cópia carimbada para ela nos proteger. Nunca negamos sermos parceiros.

O mal de tudo isso é que não há líderes. Tem muita  gente , falando  junto. No final, vira salada de frutas que azeda com o tempo.

2 comentários:

Nanda disse...

Movimentos pacíficos são sempre bem-vindos, mas me preocupo com a violência, a baderna e a falta de foco. É um protesto sobre tudo e sobre nada.

Fábio Mayer disse...

É IMPOSSÍVEL em qualquer lugar do mundo que manifestações que reúnam milhares de pessoas não acabem em violência, porque é da natureza humana essa coisa de no meio da massa virar corajosa, indignada e temerária.

O que é necessário é separar bem o que representa a maioria do que representam as minorias que apelam para a violência. As maiorias sempre protestam por motivos nobres, SEMPRE, as minorias, muitas vezes estão é preocupadas com interesses pessoais e/ou de grupos, sempre foi assim, sempre será na humanidade.

Não vou para a rua porque não é da minha natureza. Penso que os protestos brasileiros são válidos, mesmo que difusos: protestar pela passagem alta de ônibus é demonstrar que está começando a entender o mundo em que vive, protestar contra os gastos numa Copa do Mundo, idem, porque os gastos nela, aumentaram o custo da passagem de ônibus, mesmo indiretamente.

E assim vamos, e que o povo brasileiro reaprenda a protestar.

Nos seus tempos de ativista, havia também os grupelhos que só queriam se beneficiar dos protestos das massas (especialmente os ligados a partidos marxistas) e havia as pessoas (a maioria) que iam às ruas como você para conquistar um país melhor para todos. A pena de tudo isso é que os brasileiros confundiram os grupelhos com mudança e colocaram eles no poder... o resultado é o que estamos vendo hoje, e que talvez (repito, talvez) esteja experimentando um primeiro passo de mudança.