sexta-feira, 9 de março de 2018

Tô indo embora ...

- E, tome chuva. Umidade 99 por cento.
                           
É fácil falar da Venezuela e seus milhares de fugitivos. Também da Síria com expatriados da guerra civil. Mas falar dos brasileiros fugindo do Brasil, ninguém fala.  E, não fala porque não é o povo apavorado mas a elite endinheirada que pode morar onde quer.

Até os anos noventa, os endinheirados isolavam-se em bairros ou em praias, fugindo da malta  ignorante e pobre. Fizeram o controle da sua natalidade, foram acompanhados mais ou menos pelos cultos da  verdadeira classe média. Tiveram um ou dois filhos e encolheram.

Enquanto isso o povo, abandonado nas escolhas da saúde ou escolaridade com educação zero, reproduziam à vontade. Ontem deu na primeira página do jornal do ES, A Gazeta, uma foto de uma família onde a mulher teve seu primeiro filho aos 14 anos e, com trinta e dois, tem uma escadinha de nove. A cara do casal e dos filhos era de sorrisos, posando para o fotógrafo, com a casa sem reboco como pano de fundo. O retrato da falta de educação.

Eu me lembro, quando era militante feminista, nos anos oitenta, quando um deputado elegia-se, ligando as trompas e cujo preço era o voto. A BENFAM promoveu a ligadura de trompas no nordeste e dizia-se que distribuía pílulas anticoncepcionais aos mangotes. A grita era grande porque ambos estariam fazendo o controle da natalidade dos pobres. Obviamente, estava por trás os mesmos que optaram em manter-se solteiros e, mais obviamente ainda, não reproduzir.

Hoje, com a massa crescendo sem controle nenhum, os endinheirados, muitas vezes recebendo o dinheiro público da aposentadoria, escolheu mudar-se do Brasil. Não serve mais ir para alguma praia aqui, ali ou acolá  porque qualquer lugar tem gente que não suportam conviver.

É de tirar do sério, por exemplo, saber que desembargador mudou-se para Miami  e vive as custas de benesses, dinheiro farto, pago por essa mesma gente desvalida. E, cuja opção é a falta de educação e esbaldar-se no carnaval para esquecer da miséria. Mas pior ainda, é  o ódio à quebra de sua paz intelectualizada e supostamente merecida e sua omissão em construir um Brasil melhor. Sua contribuição são  mensagens nos portais, nas redes sociais, tratando o brasileiro como lixo. Saíram daqui mas continuam aqui.

O Brasil não é lata de lixo mas, se não houver uma política para resgatar essa gente da periferia da história, vai tornar-se um favelão, inclusive com a criminalidade correndo solta. Quem pode, está indo embora tal qual o povo da Venezuela mas com outra roupagem.

Nenhum comentário: