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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Callitrichidae

- Puro enfado de chefe ...
                                                          

A humanidade cresceu observando os animais, suas práticas na construção de  ninhos, defesa, alimentação e capacidade de voar. Outras coisas, com certeza.

Eu observo os macacos que transitam pelo meu quintal e, eventualmente, alimento na boca. Os especialistas disseram para não chegar perto, não alimentar e outras tantas baboseiras, como se saguis soubessem que só devem comer quando os humanos assim querem. Ou alimento ou arco com as consequências de um animal subnutrido nas imediações  urbanas.

Neste verão, notei que alguns saguis foram trocados por outros de família diferente do grupo de Chefe Boran. Deve ter sido da Secretaria do Meio Ambiente, não sei.
A família de Chefe é mais bonita, tem os pelos e tufos bem definidos. Os que chegaram são mesclados, preto e dourado,  e não tem tufos. Não sei se por que  mal alimentados, quase raquíticos. Mesmo sendo estes macacos muito magrinhos e pequenos, deu para notar.

Pois o interessante que eu notei é que ficam entre os outros, foram acolhidos mas são mantidos no último degrau da hierarquia . Quando comem, ficam de longe, esperam os outros comerem e, se furam fila, levam tapas. Até dos da mesma idade, nascidos em setembro de 2018. Eu não dou a mínima para hierarquia a menos que seja o Chefe Boran e sei que La Fúria está prenha porque ele a espera  comer para vir depois.

Porque faço essa observação? É porque com os humanos ocorre o mesmo. Quando chega alguém de fora, podem até ser acolhidos mas são mantidos na fila de espera ou discriminados. Seja no emprego, seja na cidade, seja no poder constituído.
A dificuldade que os humanos possuem em aceitar o outro que chega, mesmo antes de conviver ou saber qual o papel que representa na novidade, no cruzar novas vidas e interesses é patente no mundo todo. Tem gente que aglomera-se em facções, em partidos, em instituições para proteger-se do novo e tem uma dificuldade enorme em mudar, em adaptar-se, em avançar, seja no que for.

Portanto, não é privilégio do brasileiro o ser turrão e dificultar a chegada de alguma coisa, algum pensamento, alguma atitude até mesmo quando não entende ou não concorda. Muitas guerras já foram feitas em inúmeras civilizações e em todos os continentes, quando facções são contrariadas.
Talvez, a diferença, o chegar de alguma novidade, a vinda de gente nova, nestes tempos contemporâneos é que as guerras, os embates dos contrários sejam feitas nas páginas privadas dos espertos das redes sociais. Se havia  vantagem ontem, leva vantagem hoje, ganhando muito dinheiro e poder. Tal qual. Os tontos continuam na reta, só para levar paulada real ou em sentido figurado. No fundo continuamos um bando de saguis.  Homo sapiens é para outras coisas e não para a convivência e harmonia. Eu só queria  ver um chefe  como o Chefe Boran, que dá liberdade    - vigiada - aos componentes do seu bando, interfere quando precisa e põe pra correr quando estão na idade de se virarem  sozinhos. Os saguis que chegaram de fora, como são filhotes, nenhum dos outros atreve-se a maltratar na presença do Chefe. Comanda a todos no olho, até a mim.

Somos como antes e nem depois.  Caramba!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Aves de arribação

Os  migrantes estão voltando. Quando o Brasil estava mal , eles bandearam-se para as estranjas, buscando conforto imediato. Nem lá nem cá construíram o social, construção da cidadania. De longe, arrotaram na cara dos brasileiros na certeza de serem pessoas  melhores porque mudaram-se para o diabo que os carregassem.  De lá ou de cá só tiram; pessoal e agora: - Eu quero o meu.

Na volta, se foram para lugares mais civilizados, deviam voltar melhores do que nós, pobres sulamericanos de merda.Na vizinhança, o cara  voltou para a casa da mãe com mulher e filhos, havidos lá fora mas sem um puto no bolso.Continua do mesmo jeito que foi e com contrapeso que sua natureza imediatista não pode esperar.

- Estou vindo de Londres, disse ele, enquanto o filho colocava o lixo fora de hora e mal embalado.Custou a entender quando me mostrei mais interessada em explicar que o lixo devia ser embalado corretamente, colocado no lugar certo e à tardinha.

Este fim de semana apareceu outra novidade de gente que nada planta mas está sempre pronta para colher o  que outros plantaram. Um emergente, retornado, conhecido de outro fofoqueiro, resolveu  jogar fora suas tralhas,  e deixar os trastes na rua. Já haviam aparecido, alguns móveis caquentos nas redondezas sem que ninguém soubesse quem os colocou ali. Dessa vez o sujeito foi pego em flagrante pelo porteiro, que gritou, chamando atenção dos transeuntes.

- Este deve ter voltado dos Estados Unidos!- disse alguém, resultando em boas risadas.