sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A ponta do iceberg

                        
Uma forma de  pressão nos poderes constituídos e seus integrantes, aqueles que decidem, é usar os instrumentos  oferecidos pela internet. De uma forma ou de outra, sempre fazem coro aos protestos.

Quando eu pude, participei de formas de mudança e vi que  há repercussão. Nunca fui de passeatas e aglomerações porque  os infiltrados oferecem perigo , sendo comum descambar para a violência. Mas participei de movimentos populares e aguentei firme os ataques daqueles que estão de plantão para impedir o avanço da sociedade periférica ao dos poderosos. É aquela máxima de proteção ao status quo porque mudanças dão medo.

Em assim sendo, do alto da minha inutilidade atual, quero fazer coro as exigências pelo fim do Auxílio Moradia para juízes de direito de todos os níveis, representantes do Ministério Público ou que tais. Isso nos moldes a que é posto porque os em trânsito o merecem.

Não há dúvidas que o Brasil é pobre e atrasado porque a população sustenta benesses a essa chamada elite burra, que não tem o mínimo  espírito público ou vontade de construir uma nação.
Tanto eles como os filhos dessa gente estudam em escolas privadas, jamais andaram de transporte coletivo e passam férias fora do Brasil. Jamais misturam-se. No mínimo.
Eu vejo, por alguns riquinhos que eu conheço, que jamais participam de nada da comunidade. Até de reunião de condomínio. Preferem dar procuração para um candidato a síndico, sem tomar conhecimento do que precisa ser feito ou mudado.  A vida dessa gente é atrás dos muros ou paredes de suas residências. Vidros escuros nos carrões e cara torcida para quem passa.

O raciocínio é que aos medíocres , a lama, o buraco. Tem a convicção  do seu merecimento em ganhar fortunas  porque são inteligentes, conseguem cargos públicos porque estudaram, passaram em concurso público e trabalham demais. É o discurso do merecimento, do meritório. A meritocracia do fundo do umbigo.
Não passa na cabeça dessa gente que o poder é dado para distribuir para os menores, os menos dotados, os que nasceram sem inteligência medida por gráficos e testes. Não percebem que a vida exige pessoas, gentes, produtividade e capacidade para todas as ações sociais. Que a humanidade caminha com a parcela de contribuição de cada capacidade.

É o desprezo pelo ser humano com menos resultado para fazer testes e passar em provas cunhadas pelo sistema e medir inteligência formal. Como exemplo, eu vi acontecer na minha casa, do lado paterno. Meu pai era neto de formado em direito que foi delegado e juiz e filho de médico nos tempos em que a população brasileira tinha menos de seis por cento de alfabetizados. Todos seus oito irmão e ele próprio eram formados em direito, medicina, engenharia, odontologia. A duras penas pois com sete anos foram internos em escolas longe de casa e levados a cavalo ou trem de ferro. Só vinham para casa nas férias. Uma saga forte que rendeu orgulho, status social  e dinheiro.
Mas fico pensando se um deles não tivesse inteligência o bastante para chegar onde chegaram. Comparo com outros ramos da família e mesmo comigo, se algum deles não fossem afortunados com uma massa encefálica privilegiada ?
Talvez pelo esforço hercúleo em chegar onde chegaram torciam o nariz para qualquer pessoa com restrição de inteligência e que não ostentassem um diploma universitário. Inclusive parentes menos privilegiados no QI.

Então, entendo perfeitamente o que pensam e fazem essa massa de poderosos, ganhando rios de dinheiro e a forma como menosprezam o povo que fica a deriva de suas ações medíocres e personalíssimas.
Não passa pela cabeça dessa gente que existe uma muralha, uma barreira social intransponível que jamais será ultrapassada para que os de níveis  inferiores cheguem aos superiores.  Os poucos que passam é permitido apenas como cota de justificativa para sedimentar o estabelecido; um preto aqui, uma mulher ali, um aleijado cá, um favelado esforçado. E segue a banda.

O sistema de cotas é o retrato vivo de uma sociedade onde a hierarquia social é vigente e empedrada. As cotas são para a minoria e na minoria permitida: Trinta por cento de mulheres para candidatas a cargo político, vinte por cento de pretos nas universidades ...

Assim, essa classe que compõe de forma direta ou indireta o judiciário nacional é a representação máxima da forma como foi composto o país. São intocáveis por lei, recebem o que extrapola no índice de percebimentos porque são eles que decidem por eles mesmos. E mais, decidem por nós com tacão vil do estado brasileiro sobre  o povo que não possui inteligência e capacidade, a não ser  boiar no esgoto que essa gente defeca.

O Auxílio Moradia, distribuído à mão cheia, representa um dos galardões tirados do povo que trabalha como escravo porque merece, são incapazes de ter mais do que tem. Os senhores de terno e carro importado, portões fechados de seus palacetes, serviçais de uniforme e livro de ponto a descontar meia hora que seja de descanso, são os suseranos modernos. O país pode estar ajoelhado, pedindo esmolas mas o que é deles não falta. Nem que for preciso aumentar a carga tributária e a cobrança para viver ou ver menos do que eles mesmos.

Quem me acompanha sabe meus textos sobre o Poder Judiciário e Auxílio Moradia é apenas a ponta do iceberg.

Não acredita ? Pasme: KLIKA

Mas há esperança: KLIKA

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