sexta-feira, 20 de maio de 2016

Coração de adolescente

Essa foto é em homenagem a papai.Ele era dentista e me disse que se eu morresse com noventa anos, morreria com todos os dentes.
                          
                        
Alguns conceitos precisam ser mudados, estão sendo mudados.
Noticia-se que a longevidade do brasileiro tem a média de setenta e cinco anos. É muito boa. Só os japoneses, com sua produção em série e o blasèe de colocar seus diferentes pra fora do país ou dar um jeito de se matarem, ainda na adolescência, conseguem ir mais longe. Espaço aberto na marreta, contra a felicidade alheia.

Já se foi o tempo em que, com quarenta anos, uma pessoa  era velha. Os dentes já tinham ido pro beleléu, a saúde era do encarquilhado, cegueta era a regra. 
A mulher tinha cabelo no estilo coque. Se branco fosse, assim ficava. Vestido  preto de florzinha no meio da canela. Eu me lembro das minhas avós assim. A vida delas era casa e igreja. Era chic não discutir política nem dar palpite em nada. O ser feminina baseava-se fundamentalmente nisso. Além de filhos, casa e criada. A conversa era cri-cri. A piada pronta era quando fazia quarenta anos e o marido dizia que estava na hora de trocar por duas de vinte.E, todos achavam graça. Alguns faziam isso. 

A vida não mudou somente nisso mas no estilo de viver. O acesso à informação é para todos, a locomoção ficou muito mais fácil. Lá se vai o tempo em que viajar para o exterior só podia ser de navio.A Seleção de 58 foi para a Suécia de navio e levou vinte dias.

Portanto, se vamos viver mais, se podemos ver a vida em todos os cantos e de todas as formas, não cabe ser velho, macambúzio e pessimista. Urge manter o coração de adolescente. Mesmo que lhe apontem sempre que está velho e que deve cuidar das coisas de velho. Não há mais coisas de velho. A não ser o que os hormônios lhe digam.  Cair aos pedaços é para os que não se cuidaram e, se estão caindo pelas tabelas, perderam o bonde da história. 

Continuamos a morrer como sempre, alguns jovens, nada mudou. Mas para quem sobreviveu, não pode  apenas fazer parte das estatísticas da sobrevivência. Já o somos da história  da mudança da humanidade. Somos de uma geração que fez muitas revoluções e, se estamos aqui, continuamos a estar e a mudar tudo.

O horizonte não tem limites, a nãos ser para os que, ainda, acham que a Terra é quadrada.

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