segunda-feira, 2 de maio de 2016

O DNA de cada um

Papai com Fernando no colo, Mamãe e tia Lurdes
, Maria Inês à esquerda e eu, em frente à nossa casa em Belo Horizonte/MG. Os vestidos da vovó.
                     

Quando éramos crianças recebíamos qualquer presente sem reclamar. Se fosse algo comprado por papai ou mamãe não podia nem pestanejar. A mãe do papai, Vovó Umbelina, fazia roupa para nós, talvez porque teve oito filhos, e, mesmo uma marmota, usávamos. Nem notávamos se era feio ou bonito.
Eu penso que isso forjou nossa personalidade que não se verga às intempéries. 
Frases como,  menina cheia de vontades, cavalo dado não se olha os dentes, dinheiro não dá em árvores, pobre com tosse, não é filho de cego, se não estudar vai puxar carroça, se não quer passa a mão no chão e sai correndo, se tá com raiva tira as calças pela cabeça e pisa nelas, etc, fica introjetado no inconsciente e nos faz mais fortes para enfrentar as perdas, o que não podemos ter e os inimigos.

Minha neta é uma das cheias de vontades. Está com a mãe, filha de um bando de pobretões que ainda usam celular pré-pago, não tem casa própria, devem as calças, poupar não existe no seu dicionário e educam os filhos para a derrota. Os outros é que devem pagar suas contas e lhes dar moleza. Jamais agradecem o que recebem e , se bobear, roubam sua bolsa. E, não é figura de retórica.

Meu filho caiu na esparrela porque cometi um erro fundamental e crasso em sua educação: Jamais discriminei quem quer que fosse. Jamais falei mal de pessoas ou condições. Eduquei, na vã filosofia de que todos são iguais. E, não dei a ele o escudo para diferenciar os maus dos bons, os espertalhões dos generosos, as putas das mulheres de respeito. Aprendeu a duras penas. O erro foi meu e ele quem pagou. Agravado por ter puxado o pai, um homem generoso e manso. Caiu em uma armadilha e, só não pagou um preço maior, porque sou carne de pescoço. Bateu, levou. Gosto de briga, boas ou ruins. Pago para entrar em uma e pago para não sair. Nasci advogada. Hoje sou onça sem garras mas ainda estou atrás do toco pronta para dar o bote. Se ele fosse contratar advogado estaria morto. Não ficaria por menos de cinquenta mil reais. Não teria como pagar, seria subjugado. Sorte dele. Fiz de graça.

Pois a vagabunda está criando a filha da mesma forma como ela foi. Minha neta tem todos os requisitos para ser uma vitoriosa, mulher independente e livre mas presta atenção em aparências, tem medo de tudo,  torce o nariz para qualquer um e qualquer coisa que não seja cor-de-rosa e cheia de lantejoulas, sempre a espera que alguém faça o que é de sua obrigação. E, a mãe continua a fazer desaforos, exigências, estupidez para NÓS nos enquadramos em seu estilo, fudido, de vida. Ledo engano...

Marx tinha razão no confronto da luta de classes. Eu completo no choque cultural com pessoas que nunca leram um livro na vida. Jornal? Duvido. Revistas? Só se for Tititi. Música? Nunca ouviram falar de Chopin. Debussy? Deve ser veneno. E, Elvis é horrível.

Nesse embate, veremos qual será o caminho do DNA de Rafaela. A vida é um jogo.

Nota: Se klikar na foto, vai ver maior

2 comentários:

Maria Inês disse...

Quem aparece na foto é tia Lurdes, casada com tio Oscar.

Magui Bizzotto disse...

Uia! Já mudei, Não tinha lembrança.