segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Horário de trabalho

- Vaqueiros do Ceará. Isso sim é proteção e trabalho duro.
                      

Eu não vou fazer dissertação sobre o calor. O tema está batido. Todo verão escrevo alguma coisa e  comparo com Itinga/MG. O clima de Belo Horizonte/ MG - de onde sou natural- mesmo estando uma canícula, não é nada, comparado com o clima do litoral.  Quando fui a Itinga deparei-me com um Sol, queimando como ferro quente na pele e por aqui não é diferente. Afinal, Belo Horizonte é clima de montanha, aqui é praia e Itinga sertão.

Aqui o calor é agravado com a umidade. Só não é pior do que Foz do Iguaçu / PR porque aquilo ali é uma panela de pressão. Admiro-me do  trabalho dos pedreiros, reformando a casa do vizinho lá embaixo, enquanto outro corta, com motoserra, os troncos das árvores que, por décadas, fizeram  sombras e refrescaram tudo. O Sol  deve balançar a cabeça porque, depois, lhe será dada responsabilidade pelo calorão.

Por aqui os varredores de ruas deviam trabalhar depois que o Sol já baixa no horizonte. Mas o sistema impõe a varredura debaixo do Sol e usando roupas grossas, de brim e dispostos como se estivessem no deserto. Usam boné com complementos protegendo as orelhas, a nuca, o rosto, luvas e mangas compridas. Se eu fosse gari, faria proposta de mudança de horário.

Eu, em coerência comigo mesma, se não é trabalho mental, só faço depois das dezoito horas, horário de verão,  e o Sol já está se pondo. Do contrário, tenho problemas porque perco muita água com o suor absurdo que me desidrata e meu ácido úrico aumenta.
Foi por uma dessas, cortando a grama do quintal e carpindo quer eu tive minha primeira crise de gota. Suei tanto que a reposição de água no organismo não deu conta e o ácido úrico acumulou no meu corpo ou rins ou fígado, sei lá. Não foi médico que descobriu a razão da gota mas eu mesma, observando o meu corpo e  os motivos. Toda vez que eu fazia ou faço esforço e suo muito, o ácido úrico dá sinais que preciso tomar água. Não apenas tomar água mas mudar o horário de trabalho.

Infelizmente não posso conversar com as garis para perguntar se ficam doentes com o calor ou se preferiam trabalhar em um tempo mais condizente e confortável. Além do capixaba ser hermético, não conversa com quem não conhece, periga eu ser tida como maluca a meter onde não sou chamada. O povo por aqui é muito difícil.

De qualquer forma, custei a encontrar a solução e hoje não passo a vassoura em lugar nenhum antes das dezoito horas. Que se crie caranguejos no banheiro mas limpeza só à noite.

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